Robozinho sustentável

por Silvia Lucca

Faz tempo que as animações não são mais assunto de criança. Prova disso é a massa de jovens e adultos que correm para o cinema ao menor sinal de lançamentos. A mais nova sensação é “Wall-E”, da Pixar. Mas antes que você se pergunte qual o sentido de falar sobre esse desenho aqui neste blog, eu já respondo: total.

Isso porque a história do filme se passa no ano de 2700, em uma terra soterrada pelo lixo e devastada pelas ações do ser humano. Os que conseguiram sobreviver, moram na nave Axiom, estão hiperobesos e se locomovem em cadeiras de rodas espaciais. A única coisa que habita nosso planeta é o robô Wall-E, que recolhe o lixo, e as baratas (o que me faz pensar se o terror feminino nunca terá fim…).

É, não adianta Andrew Stanton, o diretor do filme, tentar negar. O apelo da sustentabilidade no filme é muito forte. Os temas estão todos lá: grandes empresas, monopólio, consumo exagerado, produção desenfreada de lixo, acomodação, ignorância e falta de senso de urgência da humanidade para cuidar do planeta.

E engana-se quem pensa que as crianças não entendem a mensagem que o filme deseja passar. É claro que a animação passa bem longe de uma aula de sustentabilidade, mas serve de estopim para a reflexão dos pequenos, que diferentemente de nós, já nascem com uma consciência ambiental à frente de muito marmanjo por ai. E cabe a nós fazer com que essa geração já comece a pensar e agir diferente para que não paguem um preço ainda maior para a conta que vamos deixar.

Porém, o que mais me encanta na produção da Pixar/Disney é a capacidade de transmitir uma mensagem complexa de maneira tão simples, ainda que uma animação desse tipo exija meses de produção. Dá para perceber que o Wall-e, o robozinho protagonista, não é nem de longe um eco-chato mesmo que ele e a Eva, sua única companheira, troquem apenas cinco palavras diferentes inteligíveis aos ouvidos humanos.

Não acredito que a Pixar queira salvar o mundo, mas o estúdio norte-americano mostrou que é possível sim, falar de sustentabilidade e conscientizar sem ser chato.

Observação 1: Preste atenção nos créditos finais, que fazem um paralelo entre o desenvolvimento do planeta e a história da arte.

Observação 2: A música tema do teaser trailer do filme foi Aquarela do Brasil, composta por Ary Barroso.

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