O retorno das “retornáveis”

http://www.todocoleccion.net

Lembra dessas? Tá ficando velho, hein?

por Paulo César Pereira

A caminho do mercadinho da rua atrás da minha casa, encontrei um antigo vizinho, o Domingos. Sempre animado e divertido, ele não perde a oportunidade de falar com as pessoas. E, assim que passei em frente à casa dele, logo ouvi: “Esta aí é boa, vem com um litro a mais e a tampa pode ser rosqueada!”, referindo-se à garrafa de refrigerante que eu levava na mão.

Por coincidência ou não, ao chegar ao minimercado, dois homens conversavam sobre o mesmo assunto: garrafas retornáveis. Eram eles: o “Alemão”, como é conhecido o gerente, e um freguês chamado Rogério. E a conversa seguia, “leva esta, rapaz!”, falava o Alemão, mostrando o detalhe do rótulo escrito “retornável”. E continuou: “nesta você só paga R$ 3,30, mas da próxima vez, se trouxer o vasilhame, ela custará só R$ 2,29”. No final, Rogério acabou comprando o refrigerante da garrafa retornável.

Há uns três anos, as embalagens reutilizáveis voltaram aos mercados. No começo, em pouca quantidade – duas ou três caixas que ainda ficavam fora da geladeira. As garrafas de vidro perderam o seu lugar devido à praticidade das descartáveis que, após serem utilizadas, simplesmente eram jogadas no lixo. Depois de algum tempo, essas garrafas se acumulam, por exemplo, nas margens da Represa de Guarapiranga, no caso de São Paulo. Sim, a mesma represa responsável pelo abastecimento de cerca de 3,5 milhões de pessoas das regiões de Santo Amaro, Morumbi, Pinheiros e Butantã, na capital paulista.

Porém, não sei se por outra coincidência, depois da popularização das garrafas retornáveis na periferia paulistana e em algumas cidades do interior do estado que freqüento, diminuiu a quantidade de garrafas PET na represa. É certo que outros fatores contribuem para essa limpeza: as “frentes de trabalho” promovidas pelo governo paulista (mas que foram realizadas só três vezes durante dois anos); mutirões feitos por alguns moradores da região, além de outros realizados por funcionários de dois clubes náuticos; e, o mais relevante em minha opinião, os “catadores” que também recolhem garrafas na beira da represa.

Catadores como “Paraíba”, figura conhecida no bairro de Guarapiranga que contribui para a limpeza e a preservação do local. Sempre às terças e quintas e aos sábados, ele circula e recolhe, entre outros materiais, as coloridas garrafas plásticas. E depois, com a carrocinha com rodas de bicicleta, leva todo o material a uma cooperativa de reciclagem ou a um dos ferros-velhos da região.

O mais importante são as ações. Sejam elas a reciclagem feita pelo “Paraíba”, pessoas que compram os refrigerantes com embalagens retornáveis, outros tantos que separam o lixo produzido, o estímulo de comerciantes, que fortalecem suas vendas, ou de assíduos fregueses que cada vez mais optam pela compra do refrigerante com garrafa retornável.

Anúncios
Esse post foi publicado em papo sério e marcado , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s