Construções (In)sustentáveis

A expressão desenvolvimento sustentável virou até chavão tal o número de vezes em que aparece em artigos, notícias de jornais e revistas e, principalmente, em campanhas publicitárias. Conceitos como neutralização de carbono, economia verde, amigos da natureza e saúde do planeta são destacados em todo tipo de produto, de alimentos a sabão em pó. O aquecido mercado da construção civil também se apropriou do tema.

O conceito de sustentabilidade realmente lançou um novo olhar para a forma como a construção civil impacta a natureza. Infelizmente, ele ainda está muito mais voltado para o marketing do Green Building do que para iniciativas que melhorem as práticas do setor, responsável por 40% das emissões de dióxido de carbono (CO2) e que consome até 75% dos recursos naturais.

O Brasil ainda engatinha em matéria de construções verdes (outra expressão adicionada à lista de chavões). Apenas uma agência do Banco Real em Cotia (SP) e o novo prédio do Laboratório Delboni, em São Paulo, receberam o certificado Leadership in Energy and Environmental Design (LEED).

A certificação existente em 41 países reconhece as construções realizadas nos padrões sustentáveis, exigindo, por exemplo, utilização de materiais reciclados e eficiência no uso da água e da energia. Criado para disseminar o LEED no mercado nacional, o Green Building Council Brasil (GBC Brasil) conta com um comitê formado por 70 especialistas em construção civil empenhados em adaptar a certificação à realidade do país. Além de disseminar boas práticas, estes profissionais pretendem derrubar alguns mitos.

O mais importante deles é o de que uma construção ambientalmente mais correta é muito mais cara do que a convencional. Em palestra na Conferência Internacional Ethos 2008, em maio, o diretor de projetos da Tishman Speyer, Luiz Henrique Ceotto, afirmou que o aumento no custo total de uma obra é estimado entre 1% a 8%.

Se pensarmos na economia que será gerada durante o uso do prédio e na valorização do imóvel com esses recursos, o “prejuízo” pode se tornar uma nova oportunidade de lucro. Em vez de delegar ao governo a função de incentivar os negócios sustentáveis, Ceotto acredita que o principal provedor de recursos para viabilizar esse tipo de empreendimento é o cliente. Ele justifica a posição ao listar a economia gerada em uma construção eco-eficiente: um prédio-verde pode reduzir em até 50% o consumo de água, 40% a conta de luz e até 35% a conta do condomínio. Multiplicam-se esses percentuais ao tempo de uso do imóvel, em média 50 anos, e se terá a dimensão do benefício gerado, não só ao meio ambiente, mas ao bolso do comprador.

Ou seja, é possível reduzir o impacto da construção civil, então por que não fazê-lo? A posição dos consumidores nunca foi tão importante para esta mudança de pensamento. Apenas quando as pessoas passarem a cobrar soluções sustentáveis na decisão de escolha de um produto, será possível modificar este cenário.

Para os especialistas, as tecnologias para essa mudança já existem, basta colocar a mão na massa (para encerrar com mais um chavão).

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