Menos energia, resultados iguais

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em parceria com os governos da Alemanha e Suíça, realizou, nos dias 15 e 16 de setembro, em São Paulo, a conferência “Eficiência Energética e Competitividade na América Latina”. A abertura do evento ficou a cargo de Luís Alberto Moreno, presidente da instituição, que anunciou o lançamento do relatório “Como economizar US$ 36 bilhões em eletricidade – sem desligar as luzes”, que traça um panorama sobre o desafio energético dos próximos dez anos, na América Latina e Caribe.

De acordo com o relatório, ao manter o atual nível de produção e consumo de energia, os países latino-americanos teriam um déficit de 143.000 GWh em 2018. Para enfrentar esse “buraco”, o estudo apresenta duas opções. A primeira opção é investir cerca de US$ 53 bilhões para a construção de 328 novas usinas térmicas. A outra possibilidade, mais barata e inteligente, seria usar a energia de forma mais eficiente, o que, segundo o BID, exigiria investimentos aproximados de US$ 17 bilhões.

“Buscar eficiência energética é olhar processos industriais como, por exemplo, caldeiras e alto-fornos, e avaliar como se pode ter o mesmo produto, usando menos energia, para se conseguir o mesmo resultado”, afirmou, no evento, o diretor de Infra-estrutura e Meio Ambiente do BID, Roberto Vellutini.

E como a sociedade pode tratar de forma mais responsável o uso da energia? Alguns exemplos foram apresentados na conferência, como o mostrado por Carmen Campos Pereira, CEO do Grupo Rede Energia, uma das principais fornecedoras de energia das regiões centro-oeste e norte do Brasil. A empresa promove, desde 2005, a substituição de refrigeradores antigos por novos, nas casas de consumidores carentes – para 2009, a expectativa é de fazer 11.271 doações. A iniciativa proporciona a redução do consumo de eletricidade e é uma medida que contribui para a sustentabilidade do sistema energético brasileiro.

Outro exemplo foi o apresentado por Pablo Realpozo de Castillo, gerente-geral da FIDE, um organismo mexicano de incentivo à eficiência energética. Em parceria com a CFE, empresa que distribui energia elétrica para cerca de 80 milhões de mexicanos, a FIDE desenvolve um projeto piloto com 80 residências equipadas com sistemas fotovoltaicos – que converte diretamente a luz solar em eletricidade.

No painel sobre construções residenciais e comerciais, o professor Manfred Hagger, da Universidade de Darmstadt, na Alemanha, apresentou uma casa projetada por alunos universitários. A equipe obteve o primeiro lugar na Solar Decathlon – uma competição que acontece nos Estados Unidos e conta com a participação de 20 universidades da América do Norte e Europa. Os participantes tiveram dois anos para projetar, construir e testar uma casa que tem como desafio ser, ao mesmo tempo, confortável, bonita e autosuficiente em energia, além de prover eletricidade extra para um veículo.

A conferência “Eficiência Energética e Competitividade na América Latina” faz parte da Iniciativa de Energia Sustentável e Mudança Climática (SECCI na sigla em inglês), lançada em 2007 pelo fundo de apoio do BID, com o objetivo estimular a ampliação dos investimentos no desenvolvimento de biocombustíveis, energia renovável e eficiência energética.

(Paulo César Pereira)

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