Por uma juventude sustentável

Com o mote “Entretenimento a favor da sustentabilidade”, o festival About Us, que aconteceu em Manaus (AM) e em São Paulo (SP) nos dias 26 e 28 de setembro, respectivamente, teve como proposta aliar música, consciência ambiental e sustentabilidade. Tarefa nada fácil quando se considera a dificuldade de organizar eventos deste porte – em São Paulo, a Polícia Militar estimou a presença de 23 mil pessoas. Tornar a sustentabilidade assunto agradável e estimulante para o público jovem do evento, em geral relutante ao tema já tão banalizado, também era um desafio.
O festival contou com atrações internacionais, como Ben Harper, The Innocent Criminals e Dave Matthews Band – ambos conhecidos por seu engajamento em temas sociais e políticos –, além de apresentações de Vanessa da Mata, NX Zero, O Rappa (exclusivo em Manaus), Seu Jorge e o grupo Afro Lata/Mangue, estes dois últimos apenas na capital paulista. Ao longo do evento, foram realizadas oficinas como reciclagem, compostagem, transformação de bitucas em papel e distribuição de mudas. A preocupação ambiental se estendeu também à praça de alimentação: foram servidos alimentos exclusivamente orgânicos.
Apesar de toda a estrutura pensada para fazer do evento um momento privilegiado de divulgação da sustentabilidade, a verdade é que pouco se viu (e ouviu) sobre o tema. Os espaços dedicados às oficinas não conseguiram atrair parte significativa das pessoas que circularam pelo festival. Nos intervalos entre os shows, os vídeos informativos – muitos deles com experimentações de linguagem, em clara tentativa de chamar atenção do público – eram ignorados. Ao final do evento, a grama estava tomada por copos de plástico, bitucas e embalagens de alimentos. Ficou claro que o que atraiu as pessoas ao festival foi mesmo a música. Sustentabilidade foi apenas um detalhe.
No fórum promovido pelo site do evento (www.aboutusfestival.com.br), o público levantou uma série de incoerências entre o que foi proposto e o que foi de fato realizado. O incentivo ao uso de táxi não previu o trânsito intenso que se formou nas vias de acesso à Chácara do Jóquei. Foi proibida a entrada de alimentos, o que levou ao desperdício – proibição imposta pela fiscalização da Vigilância Sanitária, de acordo com a Mondo, organizadora do evento. Poucos recipientes coletores de resíduos foram vistos na ampla área da Chácara, apesar de a empresa afirmar ter espalhado 200 latões de lixo identificados para orgânicos e recicláveis.
Segundo a Mondo, até 07 de outubro já tinham sido recolhidos 3,5 mil quilos de lixo sólido, que estão em processo de reciclagem. Está sendo feito um levantamento pós-evento com o resultado da gestão ambiental, que será postado em breve no site do festival. Apesar de a empresa afirmar ter sido possível “perceber que a grande maioria [do público] foi sensibilizada pelo conteúdo educacional de sustentabilidade”, o amadorismo por parte da organização e a indiferença do público deixam claro que muito ainda tem de ser feito para a solidificação das mudanças sustentáveis desejadas. É preciso pensar em formas novas e mais dinâmicas de sensibilização da juventude, parte essencial da sociedade que, pelo que se viu no festival, de fato precisa ser despertada.

(Mariana Tavares)

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