Welcome Mr. Obama!

A histórica eleição do democrata Barack Obama, o primeiro afrodescendente (para usar um termo politicamente correto) a ocupar a presidência dos Estados Unidos, encheu de alegria e esperança muita gente ao redor do mundo. “A mudança chegou à América”, declarou, em alto e bom som, o novo presidente durante o discurso da vitória, na noite de quarta-feira, 5, quando reuniu centenas de pessoas em Chicago, o seu reduto eleitoral.

Depois de uma campanha que já entrou para a história política americana e o conduziu ao comando da mais rica economia do planeta, Obama não perdeu tempo: iniciou a estratégica etapa de formação da equipe de transição, cujos membros assumirão postos-chaves no novo governo. A ironia é que, como ninguém mais duvida, os EUA enfrentam a maior e mais dramática crise financeira desde que se tornou um país independente da Inglaterra, com reflexos e turbulências sobre outras economias, emergentes ou não, nos quatro cantos do mundo. Nenhuma escapou, nem escaparia.

Na primeira entrevista coletiva que concedeu como presidente eleito, num cabalístico dia 7, Barack Obama manteve a cautela diante dos jornalistas e não antecipou muitas decisões. Mas sinalizou. Assim como acontece no Brasil, um dos temas tratados durante o encontro divide as opiniões: o financiamento à indústria automobilística.

O presidente eleito confirmou que deverá ajudar as montadoras – consideradas a “espinha dorsal” da economia americana –, mas também adiantou as condições: o acesso ao crédito e a concessão de incentivos fiscais serão facilitados para aquelas que já tiverem ou venham a oferecer ao mercado soluções de carros com eficiência energética. Isso significa que os fabricantes de veículos terão de se adaptar ao novo projeto econômico dos EUA – que deve privilegiar fortemente as fontes de energia limpa, menos dependentes dos produtores de petróleo e seus derivados. Boa notícia!

À luz de um novo horizonte, as relações diplomáticas e comerciais entre Brasil e EUA, se foram bastante amistosas no decorrer do governo de George W. Bush, poderão se estreitar ainda mais com Obama na presidência. A América Latina não está, a rigor, no centro das atenções do novo presidente, mas o Brasil tem, mais uma vez, a boa chance de assumir sua posição de liderança no continente e mudar o rumo das coisas. Aqui, a experiência e tecnologia acumuladas em mais de duas décadas de produção de etanol para abastecer os carros flex fuel – que já representam cerca de 90% da frota nacional de veículos –, reforçam a posição do País em futuras rodadas de negociação para discutir, por exemplo, barreiras protecionistas contra o combustível genuinamente brasileiro.

Mas o Brasil também terá de combater, sem trégua, o desmatamento ilegal na Amazônia, se quiser melhorar sua intervenção e a imagem do País lá fora para se sentar à mesa da décima quinta Conferência das Partes da Convenção do Clima (COP-15), da ONU, que acontecerá no fim de novembro de 2009, em Copenhague, Dinamarca.

Oxalá esse clima de mudança, no embalo da mais grave crise bancária que já se abateu sobre a economia mundial, seja capaz, de fato, de mudar velhos hábitos, costumes e posições nada progressistas que marcaram a era Bush, de triste e melancólica memória. Os guardiões de um planeta mais justo e sustentável – com futuro previsível – agradecem.

(Álvaro Penachioni)

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