Sem deixar rastros

Estabelecimentos comerciais de Guarulhos (SP) terão que abolir as sacolas plásticas, na marra, até a metade deste ano. Pelo menos isso é o que obriga uma lei sancionada pelo prefeito do município, Sebastião Almeida, na semana passada e que dá prazo de seis meses para que o comércio adote embalagens 100% ecológicas. Quem descumprir a norma paga multa de quase R$ 2 mil, valor que aumenta para os reincidentes.

A decisão não ganhou o merecido destaque na imprensa. Uma pena. As sacolas plásticas são uma das vilãs do meio ambiente. Na natureza, sacos e sacolas plásticas podem levar mais de 100 anos para se decompor e o plástico (em outros formatos) pode levar até 450 anos. Ajudam ainda a entupir bocas-de-lobo e bueiros, contribuindo para causar enchentes.

Mas outros aspectos deveriam ser levados em consideração. Decisões radicais geralmente não educam nem modificam o comportamento das pessoas (a Lei Seca está aí como prova). É provável que muitos supermercados passem a cobrar pelos saquinhos (o que já acontece em alguns países como na Irlanda) ou aumentem os preços dos produtos, para repassar o novo custo aos consumidores. Ou a lei pode cair no esquecimento, sem fiscalização ou cobrança da sociedade, ir parar no limbo onde se encontram dezenas de outras normas e regulamentos (Lei Seca?).
Mas não dá para reprovar tal atitude. Apesar da moda das ecobags, ainda é raro encontrar consumidores sem as famigeradas sacolas plásticas.

Poder público e empresariado também poderiam investir em ações para estimular o consumo consciente com a utilização de sacolas plásticas de uso contínuo, coleta seletiva, comprar aquilo que realmente se utiliza, evitar desperdícios e frear o consumismo impulsivo. São medidas que podem causar mais impacto do que apenas proibir o uso dos saquinhos. Isso porque implica em mudança de comportamento.

A revista Época (Ed. Globo) na edição do dia 5 de janeiro afirma que a frugalidade está na moda. Decreta que a era de esbanjar e ostentar foi-se na calda da crise financeira mundial. O que se prega agora é o conceito da simplicidade voluntária, viver com mais tempo e menos necessidades, priorizando a recompensa emocional. Tomara que estejam certos. Em um mundo que já apresenta as conseqüências do aquecimento global, a principal preocupação de cada um deveria ser a de apagar seus rastros (eliminar o lixo, evitar os desperdícios, descartar o que é supérfluo) para viver de forma mais harmoniosa com a natureza e garantir o direito das gerações futuras de viver com as mesmas condições que nós vivemos.

Anúncios
Esse post foi publicado em papo sério e marcado , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s