Empresas e partidos políticos

As doações de empresas a partidos políticos ganharam as manchetes essa semana. Investigações da Polícia Federal apontam suspeitas de corrupção e movimentações financeiras irregulares, que incluem doações não declaradas a partidos. O impacto dessas informações chama atenção para a necessidade de resposta aos indicadores de corrupção e transparência, evidentes em tempos de sustentabilidade empresarial.

O padrão mundial em relatórios da Global Reporting Initiative (GRI) indica em seu protocolo de indicadores que as empresas relatem o posicionamento em relação a partidos políticos, apresentando os valores doados a campanhas ou instituições relacionadas. Dentro do conjunto de informações de interesse da sociedade, há ainda indicadores específicos sobre ações para reduzir o risco de casos de corrupção de seus funcionários e diretores. É indicado, inclusive, que a empresa apresente qual a retaliação dada aos casos identificados.

Em geral mais destinado à resposta de organizações multinacionais e seus papéis em diferentes países, os indicadores SO acabam se aplicando muito bem à forma de se fazer negócio de alguns segmentos no Brasil. O mais interessante é que quase todas as 72 empresas brasileiras que publicaram relatórios GRI em 2008 ignoraram esses indicadores em suas publicações, inclusive as consideradas referências em sustentabilidade. Aquelas que ao menos consideraram apresentar o indicador, apresentaram respostas genéricas como o clássico “a empresa não realiza doações a partidos políticos”, por exemplo.

Sem entrar no mérito de certo ou errado quanto às contribuições privadas para partidos ou candidatos, o que aparece aqui é a relação risco/oportunidade. A resposta para indicadores do conjunto SO precisa ir muito além da prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sendo uma oportunidade para que a empresa apresente a público o seu posicionamento – ou seja, se é a favor ou não da participação política e por que considera justificável esse tipo de contribuição. Parece difícil, mas passa pelo principal objetivo de publicar um relatório GRI: aplicar a transparência aos acordos e relacionamentos estabelecidos pela empresa.

Importante destacar o papel das ONGs que acompanham o tema nesse cenário, como a Transparência Brasil (http://www.transparencia.org.br). No site da organização é possível, por exemplo, conhecer quem foram as maiores financiadoras das campanhas no ano passado, com valores e partidos apontados. É possível, ainda, ler todas as notícias publicadas no país sobre corrupção. Sinal dos novos tempos, onde os públicos têm acesso a informações historicamente restritas e as empresas precisam estar mais bem preparadas para responder aos olhares externos.

(Raquel Sabrina)

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