A sustentabilidade além da cerca

Até onde vai o compromisso da gestão da sustentabilidade de uma empresa? O mundo da sustentabilidade não tem dúvida que supera, e muito, os muros de uma organização, permeando toda a rede de stakeholders.

Esse é um dos principais desafios da gestão sustentável. Afinal, se já não é fácil atuar sustentavelmente dentro de casa, o que dirá ter que controlar um grande número de outras empresas, muitas delas pequenas e médias.

O problema é que os leitores de um relatório de sustentabilidade não têm dúvida: são raras as empresas que não dispõem de rigorosos critérios de exigência a respeito de questões ligadas à sustentabilidade de seus fornecedores.

Esses critérios invariavelmente incluem a gestão dos gases causadores do efeito estufa. Na prática, porém, esse controle vem se mostrando não tão rigoroso. O Carbon Disclosure Project (CDP) – organização que não apenas elaborou uma metodologia para a realização de inventários de emissão de carbono, mas também ajuda na identificação de oportunidades de negócio relacionadas a mudanças climáticas – realizou um estudo que aponta os principais fornecedores de 34 multinacionais como os responsáveis por um valor em 40% e 60% das emissões totais de gases dessas companhias.

Ainda de acordo com o estudo, a maior dificuldade desses fornecedores é a falta de entendimento sobre o tema, o que dificulta encontrar soluções para a redução. Em entrevista a agência de notícias EFE, o diretor de Operações do CDP, Paul Simpson, afirmou ser “evidente que muitos deles [fornecedores] não estão preparados para enfrentarem as consequências da mudança climática e não são totalmente conscientes dos riscos”.

As empresas que desejam ir além do mero atendimento aos indicadores da GRI e pretendem liderar a agenda mundial da sustentabilidade devem ter o compromisso de qualificar (o que é bem diferente de obrigar) os seus fornecedores a atuar de forma sustentável. Seria isso algo muito complicado? Será que os resultados não seriam mais efetivos – e sustentáveis – do que simplesmente fazer uma lista de exigências contratuais?

A grande pergunta – que, aliás, quase nunca é citada, nem mesmo nos relatórios de sustentabilidade de nível de aplicação A+ – é: sendo bem sucedida, a gestão da sustentabilidade dos fornecedores poderia ser replicada a clientes?

É certo que uma empresa sairá na frente ao estimular posturas responsáveis desses dois públicos. Falta apenas uma candidata.

(Fernando Badô)

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